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10 de abril de 2009

Entrevista com Satã - Parte 7








Trevas - 401 Entrevista com satã (7)

NONO ENCONTRO

A ocasião, mais rara que única, de encontrar-me com semelhante personagem iniciou em mim a curiosidade por conhecer cada vez mais sua maneira de ser. Várias coisas haviam sido já ditas, mas tinham sido tiradas em cada ocasião com a habilidade do embusteiro, especialmente quando se tratava de arrancar-lhe uma verdade, e isto se tinha feito sempre recorrendo à Onipotente intervenção dEla, que lhe obrigava a responder-me.

Compreendia que não era tão fácil preparar uma série de perguntas e provocar as respostas. Contudo, um dia depois de ter orado muito, à primeira percepção de sua presença, tentei comportar-me como se fosse um juiz inquisidor.

Com esta intenção, antes que ele introduzisse seus discursos, expus-lhe esta pergunta a queima-roupa:

“Que pensa daqueles que são ou parecem muito inteligentes e, entretanto, negam a existência de Deus e a de vocês, os anjos rebeldes?"

Com grande surpresa para mim, respondeu:

“São só uns insensatos.”

Imediatamente o peguei com a pergunta: “Que pensa daqueles que negam tributo a Deus com a vontade?”

Compreendeu imediatamente que aludia especialmente ao fato de sua negação demoníaca, e respondeu:

"Tínhamos querido reivindicar nossa liberdade em relação a Ele.”

“Explique-me que significa isto! Seres como vocês, que diante dEle são nada, que vantagens poderiam tirar com estas reivindicações."

Ao invés de responder, escutei-lhe emitir sons como os de uma besta cruelmente torturada. Claramente me fez compreender que não insistisse sobre este argumento. Compreendi que sua resposta não poderia ser senão tragicamente negativa e representava uma tortura que rejeitava manifestar.

* * *

Depois, passando aos sofrimentos que inflige a tantas pobres criaturas, também inocentíssimas, das quais em ocasiões toma posse, perguntei-lhe:

“Como se atreve, com almas que são exemplo de Deus, tabernáculos de Cristo, habitação de toda a Trindade? São seres que Deus criou para Si, e habitando neles se faz uma só coisa com eles... Como pode fazer isto?"

Respondeu de imediato:

“Você se enternece ante os tormentos que inflijo a estes seres; mas não reflexiona no que sofro eu... E ao próprio fato de que atormento a estas criaturas."

“Que satisfações consegue?"

“Já lhe disse: Nenhuma!... Nós não ganhamos nada ao infligir o mal... Nós nos encontramos como sobre uma areia movediça: quanto mais operamos o mal, mais nos afundamos.”

"Então, deixa de atormentar estas pobres criaturas e vá para sua morada... Olha como também para você Deus lhe preparou uma casa...”

"Não é uma morada; é um estado que nós mesmos buscamos.”

“Tem razão. Deus em Sua bondade, criando-lhe, não podia predestinar-lhe a um estado semelhante. Bom dizer que o tem feito vocês mesmos. Por culpa sua chegou a ser vasos da ira e da justiça de Deus. Desta maneira, enquanto nós louvaremos sua Misericórdia por toda a eternidade; com o mesmo Hosana, Hosana, Hosana cantaremos a Justiça usada com vocês."

“Que sádico você é!”

Foi uma resposta imensamente reveladora, que me gelou, deixando-me profundamente pensativo.

Que grande deve ter sido a malícia do pecado dos Anjos, se Deus, que é tão infinitamente Bom, golpeou-lhes com tanta Justiça!

* * *

Neste momento, veio-me à mente voltar à pergunta sobre as relações que os demônios e os condenados têm entre si no inferno: Conhecem-se, falam-se conforme nosso modo de entender-nos, fazem-se companhia?

Também esta resposta foi tremenda:

"Cada um de nós é um solitário... Concentrado somente na amargura de sua própria condenação... Numa angústia sem fim... Cada um tem seu inferno, e é seu inferno para a eternidade.”

Repetia a resposta já dada em outra ocasião. Eu rebati:

“Não compreendo como pode dizer que são solitários quando são tantos anjos caídos que estão juntos."

"É assim, porque cada um se separou da união com nosso inimigo. A completa separação dEle comporta nosso completo e recíproco isolamento das criaturas que giram em torno dEle. Nós sentimos esta atração, mas somos excluídos de seu fim com uma violência irreversível. A atração a Ele é regulada por uma lei de amor da qual fomos excluídos e assim permanecemos encerrados na solidão do ódio... O ódio é nosso elemento, nossa força e procuramos reparti-lo por todas as partes. Queremos introduzir a todos vocês nele, marmotas humanas. Hoje nos servimos do ódio de raças, do ódio de classes, do ódio de ideologias. E desencadeamos com isto ciclones de catástrofes, fazemos verter rios de sangue. Todos os instrumentos de comunicação estão em nosso poder para a destruição...”

“Bem vejo que vive disto... Mas quando Deus ponha fim à história?... Quando o retorno de Cristo traga seu triunfo final?..”

A pergunta ficou sem resposta.

DÉCIMO ENCONTRO

"Este é o último encontro ao qual sou obrigado a ter com você... Mas isto não quer dizer que não possa haver qualquer outro decidido por minha própria iniciativa e sem certas cautelas impostas por aquela odiosa tirana... Poderei sempre lhe pegar de surpresa e quando menos o espere... Você já tem muitas coisas que me pagar... Não pense que esqueci as borrifadas de água benta que me jogou em cima para afastar-me daquele tal...”

Este discurso explodiu de improviso e ameaçante, sem os costumeiros sinais premonitórios, enquanto - nem que tivesse feito de propósito - estava lendo um pequeno livro chamado A Era do diabo, de um autor alemão, Antônio Bohn.

O tom de meu interlocutor era, como sempre, forte e arrogante; também desta vez falava com ar de grande senhor que dispõe de tudo, ainda que é apenas o miserável executor de quanto lhe é permitido.

“É o último encontro, você disse, e espero que seja de verdade assim. Enquanto agradeço a Ela que tenha estado sempre próxima a mim, como estará também nos encontros por surpresa com que ameaça preparar-me. Para lhe dizer a verdade, tinha já o bastante com suas fanfarronadas e com todas as suas fanfarras com as que pretende fazer tremer o mundo... também creio, e já lhe disse, que o Senhor poderá permitir um tempo grande de prova para Sua Igreja... Mas acontecerá tudo sob Sua direção e para livrar-nos da sujeira que você acumulou nela... Você será, também desta vez, seu encarregado de limpeza... Se houver vítimas, como é previsível, servirão para fazer mais bela e mais santa a Sua Igreja."

"Você é muito irônico e confiante, você... espere que ocorram os fatos. Estou preparando coisas terríveis! Cenas de destruição, e de sangue, jamais vistas! Sobre os altos de suas Igrejas, em vez da cruz, ondeará meu estandarte."

“Almas inspiradas já nos predisseram também isto. Mas talvez será seu último desfile como "príncipe deste mundo". Depois intervirá Ele e tudo se derrubará sobre você e sobre seus sequazes.”

"Engana-se. Contudo, começa minha época. Triunfará meu poder de destruição. Apresentar-me-ei aos homens sem máscara; apresentar-me-ei tal como sou, para que todos tremam ante minha presença.”

“Que nada, bufão! Nem sequer você, como tantas outras vezes, crê no que está dizendo. Você sabe bem quem é Deus. Você sabe que Ele não abandonará jamais a humanidade a seus projetos grandiosos de destruição. Ele lhe permitirá somente aquilo que servirá para castigá-la por suas traições, e purificá-la de suas culpas nas que você a meteu, mas não mais do que isto..."

“Iluda-se, iluda-se... A humanidade está se preparando por si mesma, graças aos meus inventos e a minhas iniciativas, para este suicídio universal. A bomba de cobalto, a de urânio, os produtos radioativos da energia atômica, pulverizarão tudo, em poucos instantes; todo gérmen de vida será destruído...”

“Assim você reinará sobre um imenso cemitério, será o rei dos mortos; enquanto o nosso é o Deus dos vivos; por isso deixa também vocês viverem, anjos rebeldes... Deixa-lhes porque devem ser as testemunhas de seu triunfo sobre sua louca rebelião... Deixa-lhes para que nos contemplem durante toda a eternidade a nós os homens - uma natureza inferior a sua mas Divinamente transfigurada pela graça de Cristo - gozando da bem-aventurança que vocês perderam para sempre."

“Esta mudança lhes queima pela eternidade. Expulsos da Civitas Dei, trabalharam duro para construir a civitas diaboli, uma efêmera construção de papel pisoteado. Postos em fuga por Cristo, vocês se deram um Anticristo, uma caricatura do Filho de Deus para destruir suas obras e imitar de maneira ridícula Sua potencia.”

“Por que não diz antagonista?"...

“Eu lhe daria muita honra! Antagonista é aquele que luta com seu adversário combatendo com a cara descoberta. Você, com Ele, nem sequer lhe ocorre, porque sabe que é infinitamente mais forte. Entretanto, conosco tem que recorrer ao engano, à mentira; com os ingênuos se apresenta como uma superpotência; com os inteligentes tenta apagar suas pegadas, necessita trabalhar de incógnito, recorre à astúcia de não nos fazer crer no ser maléfico que em verdade é. Tudo o que consegue fazer passar despercebido, põe em marcha recorrendo a mil astúcias. Também conseguiu persuadir as inteligências mais vigilantes para que não vejam nada de mau em tudo o que o homem pode fazer. O delito se manifesta mediante um dinamismo progressivo. A psicanálise apresenta o pecado como uma doença, livrando aparentemente o homem de toda responsabilidade. Os escrúpulos de uma consciência turvada pelas culpas tentam se camuflar como resíduos de tabu, provenientes de velhas proibições não motivadas. Por outro lado, para convencer aos homens de seu poder absoluto utiliza a propaganda do terror.”

* * *

"Eu me dou conta, em todo este seu discurso, que você se crê um especialista de bagatelas demonológicas e estou convencido de que nem sequer se dá conta das bobagens que sua presunção lhe faz dizer.”

"Talvez não alcanço dizer tudo sobre seu ser e sua natureza; mas você sabe que lhe conheço bastante. Sei que para compreender seu operar maligno, eu tenho que recorrer a sua origem e a sua natureza, tal como nos são apresentadas na Sagrada Escritura, especialmente no Evangelho, e na tradição cristã. Estas são para mim as únicas fontes fidedignas: as únicas para compreender a origem do mal; você era uma criatura predileta de Deus e chegou a ser um rebelde; era um ser de luz e agora é espírito das trevas. Isto é você. Pode se camuflar com todas as artimanhas. Suas características são estas: uma criatura condenada para sempre, um ser sem redenção."

“Você disse tudo?”

"Creio, entretanto, ter dito muito pouco. Nem me importa saber mais. Tenho suficiente para lhe odiar e estar em guarda contra todas as suas tretas. E sobretudo para orar, orar muito por todos os que cedem aos seus enganos. Mas nisto sei que não estou só. Estão comigo milhões de almas que lutam contra você. Está conosco Jesus. Está também Sua Mãe Bendita."

“Temos, sobretudo, em nossa mão a faculdade de renovar cada dia o sacrifício redentor de Cristo: basta isto só para destruir totalmente sua efêmera potência. Basta uma Missa para lhe arrebatar milhões de almas."

“Sempre as mesmas bobagens. Não me permitiu lhe dizer tudo o que queria. Falarão os fatos, repito-lhe."

Já lhe disse: não lhe tenho medo. Está conosco Ele, que é mais forte do que você, e só para seu maior castigo não lhe destrói totalmente. Se tivermos de sofrer, O louvaremos. Em troca dos sofrimentos daqui, Ele nos prepara um prêmio que lhe fará tremer de inveja. Para você será só o peso de sua condenação, o fogo inextinguível de seu orgulho e, ao final dos tempos, a trágica impossibilidade de poder continuar nos fazendo o mal e a inveja torturadora ao saber que somos bem-aventurados para sempre no paraíso, que você perdeu."


CONCLUSÃO DO ACONTECIMENTO


Na conclusão deste acontecimento ocorreu um fato insólito. Levava já vários dias com meu ânimo na necessidade de ir dar graças à Virgem ante Sua imagem na que havia experimentado o impulso para escrever estes "encontros” e por tê-los podido realizar com Sua proteção, que me pôs a salvo de qualquer possível superioridade do Inimigo. Assim que numa tarde fui à igreja onde aquela querida imagem é venerada em Roma e ajoelhado a Seus pés comecei a dar-Lhe graças.

Aos poucos minutos, proveniente da primeira fila dos bancos, onde estava também ela orando, aproximou-se a jovem da vez passada. Impressionaram-me também agora seus olhos luminosíssimos e doces e seu sorriso excepcionalmente encantador.

“Ei, ficou feliz por ter obedecido?”

“Desculpe, senhora...”

"Não, senhorita.”

"Poderia me dizer, senhorita, quem é você?”

“Meu nome não importa, deixe assim, peço-lhe que não o procure. Digo-lhe que estou feliz de que você tenha obedecido."

Vê-se que você está muito interessada neste assunto."

“Sim, muitíssimo. Agora o direi." Então peguei uma cadeira que tinha perto e sentei-me ao seu lado, num ângulo afastado, e ela começou a falar com voz baixa e calmamente me disse:

Queria lhe dizer que fez muito bem ao escrever essa entrevista.

Compreendo que poucos lhe crerão, mas é necessário não calar. O inimigo recorre a todo tipo de sutilezas para não se deixar descobrir. Quer trabalhar escondido. E consegue.

Vocês, os sacerdotes, devem desmascará-lo. O Senhor lhes concedeu contra o demônio um poder especial do qual não são conscientes… Ele tem um medo terrível de vocês, sacerdotes. Por isso os odeia mais que aos outros, rodeia-os, tenta-os e os faz cair. São muitas as vítimas que vai fazendo entre vocês.

E pensar que são muitos os sacerdotes que não crêem em sua presença nem em suas obras. Falam dele por diversão, por burla, e não pensam que se trata de seu inimigo mortal.

É uma situação triste! Você não se preocupe do que digam sobre o que escreveu. Deixe-os rir. Muitos são instrumentos seus e não se dão conta. Obedecem a suas ordens mas Deus os observa. Se vissem que horror, que repugnância dão certas almas de sacerdotes, cheios de orgulho, de impureza, de rebeldia e semeadores de escândalos! Se Deus lhes concedesse ver sua alma, ainda que fosse só por um instante e olhar-se ao espelho! Se deixaram arruinar por seu inimigo e não crêem nele! Meu Deus, que horror!

Confie seu escrito às mãos dEla e não se preocupe. A graça de Deus poderá se servir destas páginas para iluminar tantas almas. E isto tem um grande mérito. Deus lhe abençoe.”

"Muitos me ridicularizarão."

"Não se preocupe.”

Aqui a jovem, com o rosto de novo sorridente, levantou-se, fez uma genuflexão ao altar, saudou-me e se foi.

Fiquei com a impressão de ter-me encontrado com uma daquelas almas escondidas, mas muito queridas por Deus. Não é uma pessoa criada por minha imaginação. Está viva e é verdadeira.








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