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8 de maio de 2009

As letras no Heavy Metal: anticristo superstar!



Esta é a última coluna sobre os temas do metal. O anticristo foi a inspiração suprema do heavy metal, praticamente o único estilo musical a abordar o tema. Claro que o blues, com suas histórias das encruzilhadas e contratos assinados com o demo e os Rolling Stones com a música “Sympathy for the Devil”, já falavam um pouco do assunto, mas não com a força e a dedicação do metal.


E tudo começou com o Black Sabbath, banda inglesa da cidade industrial de Birmingham, que definiu os novos padrões de se fazer música pesada. A influência do tema veio do cinema. O baixista Geezer Butler ficou fascinado quando viu pessoas numa fila de cinema pagando ingresso para ficarem com medo, assustadas com um filme de terror. O nome do filme? Black Sabbath.



Então ele quiz fazer o mesmo, mas em vez de usar os filmes, usou a música. A letra da primeira música que dá nome à banda e o primeiro disco mostram todo o mal que o grupo queria expressar nas suas histórias.



Black Sabbath - Black Sabbath, 1970 - Big black shape with eyes of fire / Telling people their desire / Satan’s sitting there, he’s smiling / Watches those flames get higher and higher / Oh no, no, please God help me! (Uma forma grande e negra com olhos de fogo / Falando às pessoas os seus desejos / Satanás se senta ali e ele sorri / Olhando aquelas chamas que crescem e crescem / Oh não, Deus me ajude por favor!)



Com o sucesso do Black Sabbath, muitas bandas começaram a escrever sobre o ocultismo, inclusive o guitarrista Jimmy Page, do Led Zeppelin, que até comprou o castelo onde morou o mago Aleister Crowley. Do qual, dizem as histórias, Page e Ozzy Osbourne eram discípulos.



Depois, veio o Iron Maiden, que escreveu o disco “The Number of the Beast” baseado no livro do Apocalipse, da Bíblia. Ozzy Osbourne também continuou com o tema em sua carreira solo e até bandas como Deep Purple, Blue Oster Cult e Uriah Heep beberam da água “benta” do metal negro.



Mas foi no começo da década de 80, que o ocultismo veio com força total e várias bandas passaram a utilizaram a magia negra como tema para suas letras. São vários os exemplos, mas vou citar apenas algumas bandas que me influenciaram. Creio que a mais “maléfica” que surgiu foi o Venom. Esta banda, também inglesa da cidade de Newcastle, surgiu com letras explícitas e blasfêmias por todo o lado. Em 1981, eles lançaram o disco “Welcome to Hell” e no ano seguinte o disco “Black Metal” que deu nome a um novo movimento musical.


Venom - Black Metal, 1982 - Black is the night, metal we fight / Power amps set to explode / Energy screams, magic and dreams / Satan records the first note (Negra é a noite, metal, nós lutamos / Amplificadores potentes prontos para explodir / Energia gritando, magia e sonhos / Satanás grava a primeira nota)



Na mesma linha, vieram bandas como Hellhammer, Celtic Frost, Mercyful Fate, Kreator, Destruction, Sepultura (primeira fase), Krisium e Slayer.



O Slayer, banda norte-mericana de thrash metal, escreveu temas magistrais, pesados e sangrentos como por exemplo o clássico “Reign in Blood”, música de mesmo nome do álbum lançado em 1986.

Slayer - Reign in blood, 1986 - Reign in blood / From a lacerated sky / Bleeding its horror / Creating my structure / Now I shall reign in blood! (Reinar em sangue / De um céu lacerado / Sangrando o seu horror / Criando a minha estrutura / Agora eu devo reinar em sangue)


Mercyful Fate - Evil - I was born on the cemetery / Under the sign of the moon / Raised from my grave by the dead / I was made a mercenary / In the legions of hell / Now I’m king of pain, I’m insane (Eu nasci no cemitério / Sob o sinal da lua / Puxado de minha sepultura pelos mortos / Fui feito mercenário / Nas legiões do inferno / Agora sou o rei da dor, eu sou um louco)

Muitas outras gerações de músicos acabaram utilizando esta forma de poesia, que combinou muito bem com as guitarras pesadas, baterias ultra rápidas e vocais guturais. Bandas, que com o passar do tempo, fizeram um som cada vez mais extremo e agressivo.
A região gelada da Escandinávia, mais precisamente na Noruega, mostrou um metal que ultrapassou os limites da ficção e da arte. Bandas como Mayhem, Immortal, Darkthrone, Emperor, Burzum levaram o satanismo à sério. Algumas delas tornarem-se bandas fundamentalistas e levaram a crença nos temas das letras a um nível absurdo.

Mayhem - Carnage - Winds of war, winds of hate / Armageddon, tales from Hell / The wage of mayhem, the wage of sin / Come and hear, Lucifer sings (Ventos da Guerra, ventos do ódio / Armagedon, contos do inferno / A onda de mutilação, a onda do pecado / Venha e escute, Lucifer canta)

Alguns músicos realmente acreditavam ser anjos do mal ou até mesmo o próprio Satanás em pessoa. As consequências desta estupidez foram igrejas queimadas, brigas e, infelizmente, assassinatos. Um exemplo disso é a morte do músico Euronymous, integrante das bandas Burzum e Mayhem. Ele foi assassinado por seu colega de Burzum Varg Vikernes (na foto abaixo), em 1993, por “diferenças ideológicas”.
Creio que o limite entre a fantasia e a realidade deve ser respeitado, independentemente do estilo, e que a música não deve servir de refúgio aos ignorantes.

Queria aproveitar e agradecer os e-mails que tenho recebido sobre a coluna, muitos elogios, muitas dicas, sugestões, algumas críticas inteligentes outras nem tanto, mas respeito as opiniões e fico feliz pela receptividade.

Até a próxima!
Andreas Kisser

Fonte: Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil

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