Web Radio Sertao De Deus


6 de abril de 2009

O fim da primeira era global







Até a I Guerra Mundial ter deflagrado, a economia mundial era tão global como agora em muitos aspectos. Os stocks de capital estrangeiro nas economias e o número de imigrantes eram então superiores aos níveis actuais. Foi a primeira era da globalização.


Após 1914, muitas foram as tentativas de reiniciar o processo de globalização interrompido pelo conflito militar. Todas elas saíram goradas. Não por falta de tecnologia ou de crescimento económico, mas por razões essencialmente políticas.

Antes da I Guerra Mundial, a maioria dos países desenvolvidos tinha democracias ainda incipientes, onde as principais vítimas da globalização - agricultores, operários e pequenos empresários - não tinham força, por falta de organização ou de liberdade política. Isso explica a aceitação social e política de quedas tão abruptas nos preços e salários, que durante aquele período eram extremamente flexíveis, ajustando-se sempre que necessário aos choques externos, explica Frieden.

No mundo que emergiu após este conflito despontaram movimentos corporativos bem organizados, tais como sindicatos operários e lóbis agrícolas. A insistência em lançar uma nova onda global entrou em choque com as preocupações de todos estes lóbis, reforçando os partidos dos extremos, que, em alguns países, como a Alemanha ou Rússia, assumiram mesmo o poder, fechando as suas economias.


Só em 1944, com o sistema monetário de Bretton Woods - que assentava num prudente compromisso entre liberalização do comércio e interesses corporativos e nacionais - voltaram a estar reunidas as condições para uma nova era global. No início dos anos 70, este controlo internacional foi perdendo eficácia e, depois de uma década de forte instabilidade, deu lugar a uma nova ordem económica mundial, muito mais liberal e flexível mas bem sucedida. A falência dos regimes socialistas e a integração de países como a China e a Índia levaram a globalização para níveis inimagináveis pouco tempo antes. Porém, sem o equilíbrio de Bretton Woods e com a concorrência internacional ao rubro, a globalização está agora sujeita a novas ameaças.





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